LUIZ DE MATTOS
PRIMEIRA COMUNICAÇÃO de 15 de janeiro de 1926
NÃO! EU
NÃO MORRI
Titulo publicado no site (em manutenção)
Vai-vos parecer talvez estranho que
eu vos venha, por intermédio de um militante desta Casa, participar-vos de viva
voz, que Luiz José de Mattos, aquele que foi o Presidente físico deste Centro
durante dezesseis anos, desencarnou pela manhã de hoje, ficando portanto
completamente livre da matéria que tanto o enojava e fazia sofrer.
Sim! Sou livre! Estou livre em
absoluto da carne que me envolvia, do corpo que me enleava, e não permitia ao
meu espírito de expandir-se, de revelar-se tal qual era, de mostrar-se
plenamente na sua independência, na sua força, no seu valor, na sua própria
essência!
Enganam-se aqueles todos que pensam
que eu morri, só porque o meu corpo físico foi ainda há pouco, entalado entre
quatro tábuas, para debaixo de quatro palmos de terra.
Não! Eu não morri, porque estou mais
vivo do que nunca, e a minha vida agora é mais intensa, é mais luminosa, terá
para vós maior proveito, porque a verdadeira vida é aquela que se vive depois
da morte do corpo, e durante o tempo que eu a mim próprio determinei, e que vos
não é dado saber até quando, eu aqui virei para vos causticar, para vos
chicotear, nos vossos vícios, nos vossos desejos intemperados, nas vossas
misérias, como sempre o fiz enquanto a matéria tinha vida anímica, e fá-lo-ei
sempre, sim amigos, porque Luiz de Mattos quando em vida física nunca teve
medo, nunca temeu ninguém, nunca vacilou ante quem quer que seja, porque para
poder bem cumprir o seu dever, espezinhou preconceitos, pôs de parte família e
amizades, e sozinho, de fronte erguida, caminhando contra tudo e contra todos,
ele venceu sempre, altivamente, quer o queiram os tolos pretensiosos quer não.
Do muito que tinha e queria
dizer-vos e que o tempo não m’o permite, recomendo-vos mais do que nunca que os
tempos estão chegados, que o RACIONALISMO CRISTÃO há de vencer custe o que
custar, e que esta Doutrina que iniciei, e que do Astral Superior é, e este
Centro que está aberto para esclarecer-vos, não se acabará nunca, há de pelejar
pelo esclarecimento das almas, pela civilização do mundo, e pelo bem da
humanidade, para o seu progresso, e para a sua evolução, porque mesmo fora da
atmosfera terrena, como soube combater e vencer na vida física, o que mais
fácil me será agora por estar livre das contingências humanas, embora por pouco
espaço de tempo isso seja.
Olhai amigos, que já é tempo de
cuidardes um pouco das vossas almas, e deixardes de ligar tanta importância à
matéria que nada é e nada vale, e que, em passando vinte e quatro horas após o
desaparecimento da vida anímica, começa logo a cheirar mal, e apesar de alguns
saberem disso, ainda em redor do meu corpo físico se fizeram coisas que eu não
queria, coisas que eu sempre condenei como impróprias e inúteis.
Tomai sentido como procedeis e agis,
e olhai, que no Espaço as coisas são muito sérias, a mim não me surpreendeu
porque já as conhecia, porque já sabia o que ele era e como as coisas têm
representação diversa das da terra. Tratai de estudar, de saber o que vos
aguarda, pois que se não quiserdes reagir a tempo, o vosso fim será
tristíssimo, será desgraçadíssimo, dói-me profundamente a alma, agora que sou
espírito, o ver-vos tão indiferentes e empedernidos, eu que tanto por vós me
sacrifiquei, mais do que vós merecíeis, a ponto de convosco despender demasiado
a minha vida anímica, não me dando assim o tempo suficiente para terminar a
minha obra que o não ficou, mas há de sê-lo, mas isto não é convosco nem vos
diz respeito. Portanto, fazei o que quiserdes, os livros aí estão, a nossa Casa
aí está aberta, de par em par, aproveitai se o quiserdes, e se não, todo o mal
será vosso. Mas entretanto, apesar destas palavras austeras, com elas vai toda
a irradiação de amor e de paz, do que na Terra foi e se chamou: Luiz de Mattos
“Sempre orientamos as criaturas sobre a forma de se
conduzirem, seja qual for a situação que tenham de enfrentar. Os imprevistos
existem, os espíritos não vêm para este mundo encarnar em corpo físico para
viverem eternamente. A vida eterna do espírito é no espaço, no seu mundo de
luz. Há criaturas que não aceitam, não se conformam, em hipótese alguma, com a
perda de um ente querido. Apesar de compreendermos a dor que sente quem passa
por esse sofrimento, tem a criatura que se esforçar ao máximo para ultrapassar
o traumatismo emocional. Tudo passa na vida, essa é a frase verdadeira e
conhecida de todos os racionalistas cristãos. E se tudo passa, a vida material
das pessoas também passa. As células que compunham aquele corpo físico se
desgastam, e o espírito tem por obrigação e dever abandonar a carcaça e galgar
ao seu mundo. O que resta para aqueles que aqui ficam é a conformação, a
alegria íntima do dever cumprido com aquele ser amado que se foi.” Roberto Dias Lopes — Livro Para Quando os Reveses Chegarem –
Capítulo 3 – Item 2
Colaboração: Arminda Henriques Lopes